Transtornos Dissociativos

Os transtornos dissociativos são distúrbios que ocorrem em consequência de perturbação, interrupção ou dissociação de uma percepção, memória, identidade ou consciência do indivíduo. Quando esses aspectos fundamentais não funcionam apropriadamente, o resultado coloca o indivíduo sob grande sofrimento psíquico. Embora haja muitos tipos de transtornos dissociativos, todos compartilham determinadas características. Os psicólogos acreditam que todos esses tipos de transtornos se originam do indivíduo que passa por algum tipo de trauma em sua vida.
O indivíduo utiliza, assim, a dissociação como um tipo de mecanismo de defesa, pois a situação ou experiência é simplesmente muito difícil e traumática para que possa ser incorporada no “eu” consciente. Muitas vezes, os transtornos dissociativos, ou sintomas de transtornos dissociativos, são encontrados em outras doenças mentais específicas, que incluem o transtorno do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo e o transtorno do estresse pós-traumático. Existem quatro tipos de transtornos dissociativos:

  1. Amnésia dissociativa: neste tipo de transtorno dissociativo, um indivíduo bloqueia informações essenciais que geralmente se referem a um acontecimento traumático ou estressante. A amnésia dissociativa pode ser subdividida em quatro tipos:

  • Amnésia localizada: quando quaisquer lembranças relacionadas com um acontecimento específico, geralmente traumático, estão completamente ausentes. A amnésia localizada é sensível ao tempo. Por exemplo, se um indivíduo teve um acidente de carro e não consegue se lembrar de nada do acidente até três dias depois, então está passando por esse tipo de amnésia dissociativa.
  • Amnésia seletiva: quando um indivíduo consegue se lembrar de fragmentos de algo que ocorreu em um período específico. Por exemplo, se uma pessoa foi abusada fisicamente e só consegue se lembrar de certas partes do que ocorreu no momento do abuso. Amnésia generalizada: quando uma pessoa não consegue se lembrar de um único detalhe de sua vida. Esse tipo de amnésia dissociativa é muito raro.
  • Amnésia sistematizada: quando a amnésia de uma pessoa só afeta uma categoria específica de informação. Por exemplo, uma pessoa pode não conseguir se lembrar de nada que se relacione a um local ou a uma pessoa específica.

Se um paciente sofre de amnésia seletiva, generalizada ou sistematizada, muitas vezes há um tipo maior e mais complexo de transtorno dissociativo responsável, como o transtorno dissociativo de identidade.

  2. Fuga dissociativa: este é um transtorno dissociativo muito raro em que uma pessoa, de repente e sem nenhum planejamento, deixa seu ambiente e viaja para longe de casa. Essas viagens podem durar de horas a meses. Houve casos de pessoas que sofrem de fuga dissociativa e viajaram por milhares de quilômetros. Durante o estado de fuga, as pessoas mostram sinais de amnésia, sem compreender por que deixaram a casa e têm dificuldades para se lembrar de seu passado. O indivíduo fica confuso ou não tem nenhuma lembrança de sua identidade; e, em alguns casos raros, as pessoas chegam a assumir novas identidades.

  3. Transtorno dissociativo de identidade: anteriormente chamado de transtorno de personalidade múltipla, é o exemplo mais conhecido de transtorno dissociativo. No transtorno dissociativo de identidade, um indivíduo possui muitas personalidades e identidades distintas, em vez de apenas uma. Para que seja considerado como tendo transtorno dissociativo de identidade, no mínimo duas das personalidades do indivíduo devem aparecer repetidamente e assumir o controle do comportamento dessa pessoa. Metade dos que sofrem desse distúrbio tem menos de onze identidades, embora haja casos em que um indivíduo chega a ter até cem identidades.

Todas as personalidades dissociativas têm a própria identidade, autoimagem, história e nome. Quando uma pessoa se torna uma dessas outras identidades — conhecidas como alterego —, o indivíduo sente longas lacunas na memória. Pode levar segundos para um indivíduo mudar para um de seus alteregos, e esses alteregos podem ter idades, nacionalidades, gêneros, preferências sexuais e até mesmo linguagens corporais e posturas diferentes que as do indivíduo. A chegada e a partida das personalidades são geralmente desencadeadas por um evento estressante. As pessoas que sofrem de transtorno dissociativo de identidade muitas vezes possuem outros transtornos, como o transtorno de personalidade limítrofe, depressão, distúrbios alimentares e abuso de substâncias. Essa combinação pode frequentemente resultar em violência, automutilação e tendências suicidas.

  1. Transtorno de despersonalização: uma pessoa que sofre de transtorno de despersonalização passa por sensações de desapego. A pessoa sente como se o corpo fosse irreal para ela. Embora os sintomas de despersonalização sejam diferentes para cada um, as descrições mais comuns dessa experiência são sentir como se o corpo estivesse se dissolvendo ou mudando, sentir como se estivesse realmente assistindo a sua vida se desenrolar como se o indivíduo fosse um observador externo, sentir como se estivesse flutuando no teto e olhando para baixo para si mesmo, e sentir como se fosse uma espécie de robô ou máquina. A maioria das pessoas que sofre de transtorno de despersonalização também sente distanciamento emocional e se sente emocionalmente entorpecida.

O fato de uma pessoa sentir a despersonalização não significa necessariamente que sofra de transtorno de despersonalização. A despersonalização é muitas vezes um sintoma de outras doenças, como o transtorno do pânico, transtorno de estresse agudo, transtorno de estresse pós-traumático e transtorno de personalidade limítrofe. Se a despersonalização ocorrer apenas quando o indivíduo passa por um fator estressante ou ataque de pânico, então ele não tem o transtorno de despersonalização. A despersonalização também pode ocorrer em pessoas perfeitamente normais. A privação do sono, eventos emocionalmente estressantes, o uso de determinados anestésicos e condições experimentais como as que envolvem a ausência de peso podem criar o efeito de despersonalização.
Como a despersonalização é uma ocorrência comum, apenas quando esses sintomas se tornam tão graves a ponto de uma grande carga de sofrimento emocional ser colocada sobre o indivíduo e haver uma interferência em seu funcionamento normal é que o transtorno de despersonalização é diagnosticado.

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